quarta-feira, 10 de março de 2010

Maldita,malquista,incontrolável.
Pulo de túmulo em túmulo,no cemitério da vida,imersa no liquído substancioso da vida.
Sempre incompreendida,coleciono amores como selos,ou bibelôs cuidadosamente guardados na estante do meu quarto.
Pequenos troféus de pequenas conquistas,que acalento como uma garotinha acalenta suas bonecas,que um dia partem para outros mundos sem deixar cara de adeus.
A desbocada,que não mede palavras e solta rajadas de impropérios acompanhadas de escandalosas gargalhadas...
A tímida que se encolhe nos braços de um homem,como uma gatinha amedrontada,com medo do mundo,chorando baixinho suas mazelas!
Alguém que sabe que não cresce nem aparece pulando na frente de uma filmadora ou botando meio palmo de lingua pra fora.
Inquieta e sorridente às vezes choro com medo de nunca crescer,medo de ficar velha e enrrugada jogando videogame ou indo pra balada,esperando a morte chegar sozinha,sem saber como é carregar um filho no ventre ou ter um marido ao lado!

Escrevo,escrevo,escrevo,depois apago tudo.Rasgo mil pedaçinhos de alma e jogo na lixeira em cima da xepa de cigarro que joguei fora antes de apagar pra ver se arde no fogo.
Não tenho idade,nem endereço fixo,nem maturidade,tenho sim,um computador cheio de textos,fotos e músicas,muitos amigos,alguns amantes bem-amados e uma saudade que pesa no peito de coisas que ainda não vivi!
Alquimista dos sentimentos,sinto com as mãos,regurgito com os olhos,sussurro músicas antigas,de um tempo que não me pertence,admiro ídolos como a Janis Joplin,gargalho e choro com a mesma intensidade e posso rir das coisas óbvias tanto quanto das absurdas.
Não sou deste mundo e fui mandada pra cá por engano de um Deus imprudente!
Meu lugar é no universo,solta e esvoaçante,perto dos pigmentos coloridos no horizonte sem fim do desconhecido eterno!
Não consigo viver nesse mundo morto,não entendo o dialeto dos cadáveres!
Eu choro quando quero chorar,amo quando quero amar,como quando quero comer...
Os cadáveres não,eles choram quando deveriam sorrir,sorriem quando deveriam chorar,maldizem quando querem bendizer,maltratam quando querem bem tratar!
Não consigo me adequar a essas regras,então continuo pulando de túmulo em túmulo,encapetada e impossível,querendo mudar o mundo que me rodeia,ou procurando um novo mundo pra morar!